Sexta-feira, Maio 22, 2009
O João Bénard
(...)
O João Bénard é uma alma. É uma alma que, a cada momento da vida, desde que nasceu, sempre fez pouco do corpo e das coisinhas de que o corpo precisa. Tinha um corpo transparente, com alma a ver-se lá dentro. Ou então era a alma que projectava o corpo no ecrã da pele. É por isso que todos nós o conhecemos como conhece Deus.
Deus, apresento-Te João Bénard. João Bénard, apresento-te Deus.

(Miguel Esteves Cardoso, in Público, 22.Mai.2009)
 
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Sexta-feira, Dezembro 19, 2008
Could I say it better?
It's not
the critic that counts...
Not the man who points out
How the strong man stumbles...
Or where the doer of deeds
could have done them better.
The credit belongs to the man
who is actually in the arena.

(Theodore Roosevelt)
 
Colocado por Ricciardito à(s) 08:13 | 3 Comentário(s)
Quarta-feira, Dezembro 17, 2008
Terrible true story!
I always figured a man's like a blade of grass...
He grows up in the spring, strong and healthy and green...
And then he reaches middle age and he ripens as it were and...
In the autumn they, like a blade of grass...
He finishes just fades away and he never comes back.
Just like a blade of grass.
I think when you're dead, you're dead!


in The World's fastest Indian (with Anthony Hopkins)
 
Colocado por Ricciardito à(s) 07:53 | 0 Comentário(s)
Segunda-feira, Novembro 03, 2008
Yeeeeess, they can!
Depois de Lewis Hamilton vencer a temporada de 2008 de Fórmula 1...




...todos almejam por outra vitória bem mais importante - a da eleição do Presidente dos EUA: Barack Obama.



The change is needed and yes, they can!
 
Colocado por Ricciardito à(s) 07:23 | 0 Comentário(s)
Quarta-feira, Setembro 03, 2008
Até breve ou até sempre
Algum dia teria de acontecer...
É provavelmente o meu penúltimo post no Santuário, que vai fazer uma longa e demorada pausa.
Um apelo introspectivo passa por admitir, tal como Pessoa, que “Quanto mas desço em mim, mais subo em Deus”.

Até breve ou até sempre
 
Colocado por Ricciardito à(s) 21:00 | 1 Comentário(s)
Terça-feira, Agosto 05, 2008
Basta pensar em sentir
Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

(Fernando Pessoa)

Nota: Quem vai partir sou eu durante uns dias, para longe, bem longe!
Fica aqui a promessa de novas poesias do Poeta Eterno. Até lá!
 
Colocado por Ricciardito à(s) 23:41 | 1 Comentário(s)
Segunda-feira, Maio 26, 2008
Ao entardecer
Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...

(Alberto Caeiro)
 
Colocado por Ricciardito à(s) 07:21 | 0 Comentário(s)
Quinta-feira, Abril 24, 2008
Análise
Um dos mais belos poemas, para mim, é claro.
Reparem na musicalidade, no jogo de palavras... Soberbo!

Tão abstrata é a ideia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perço-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a ideia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

(Fernando Pessoa)
 
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Segunda-feira, Março 31, 2008
Meu coração é um almirante louco
Meu coração é um almirante louco
Que abandonou a profissão do mar
E que a vai relembrando pouco a pouco
Em casa a passear, a passear...

No movimento (eu mesmo me desloco
Nesta cadeira, só de o imaginar)
O mar abandonado fica em foco
Nos músculos cansados de parar.

Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.

Mas — esta é boa! — era do coração
Que eu falava... e onde diabo estou eu agora
Com almirante em vez de sensação?...

(Álvaro de Campos)
 
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Segunda-feira, Março 24, 2008
Adiamento
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

(Álvaro de Campos)

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Terça-feira, Março 18, 2008
Acordo de noite
Acordo de noite subitamente,
E o meu relógio ocupa a noite toda.
Não sinto a Natureza lá fora.
O meu quarto é uma cousa escura com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.
E esta pequena cousa de engrenagens que está em cima da minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco a pensar o que isto significa,
Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca
Porque a única cousa que o meu relógio simboliza ou significa
Enchendo com a sua pequenez a noite enorme
É a curiosa sensação de encher a noite enorme
Com a sua pequenez...

(Alberto Caeiro)

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Sábado, Março 15, 2008
Acho tão natural que não se pense
Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa...

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas...
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente...

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.

(Alberto Caeiro)

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Terça-feira, Março 11, 2008
Acaso
No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.

Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.

Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por génio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos...
Mas isto era a respeito de uma rapariga,
De uma rapariga loira,
Mas qual delas?
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra espécie de rua;
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra espécie de rua;
Por que todas as recordações são a mesma recordação,
Tudo que foi é a mesma morte,
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional.
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
Pode ser... A rapariga loira?
É a mesma afinal...
Tudo é o mesmo afinal...

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.

(Álvaro de Campos)

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Quinta-feira, Março 06, 2008
That
Fernando Pessoa (1888-1935), Portugal's greatest poet since Camões, is a central figure of European Modernism and its perception of a collapse of the post-Romantic "I" and of Westen culture. Deeply introspective, seeking objectivity through "depersonalisation", he wrote in various distinct personae.

They say that I pretend — or lie —
All that I write…
No. I simply feel
With the imagination.
Do not use the heart.

Everything I go through or dream,
Everything that fails me or ends,
Is like a terrace
Over something else.
That is what’s beautiful.

That’s why I write in the middle
Of what isn’t near,
Free from my own arousal,
Serious about what is not.
Feel? Let the reader feel!

(Fernando Pessoa)

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Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008
Qual é a tarde por achar
Qual é a tarde por achar
Em que teremos todos razão
E respiraremos o bom ar
Da alameda sendo verão,

Ou, sendo inverno, baste 'star
Ao pé do sossego ou do fogão?
Qual é a tarde por voltar?
Essa tarde houve, e agora não.

Qual é a mão cariciosa
Que há de ser enfermeira minha —
Sem doenças minha vida ousa —
Oh, essa mão é morta e osso...
Só a lembrança me acarinha
O coração com que não posso.

(Fernando Pessoa)

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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008
Cafe Martinho da Arcada
The Cafe Martinho da Arcada, located somewhat inconspicuously in the northeast corner of the Praça do Comércio under the arcades, has a long history. It was founded in 1782, but did not get its name until later from the owner Martinho. A regular of the cafe was Portugal's most famous 20th C. poet, Fernando Pessoa. Pessoa worked and lived for a long time in the Baixa (Downtown) and is said to have written pieces of his work in the Martinho da Arcada after closing time. Until the autumn of 1989 the cafe was retained in the style in which Pessoa enjoyed it. Following suggestions made by a Pessoa society, which calls itself the Friends of the Martinho da Arcada, the cafe has been restored and renovated and was reopened early in 1990 as a quality restaurant and esplanade cafe. Now it is chiefly the employees of the surrounding ministries who meet here for lunch.






P.S. The photos have been taken by António Vale whose support I could count on.

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Domingo, Fevereiro 24, 2008
A pálida luz da manhã de inverno
A pálida luz da manhã de inverno,
O cais e a razão
Não dão mais 'sperança, nem menos 'sperança sequer,
Ao meu coração.
O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.

No rumor do cais, no bulício do rio
Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem menos sossego sequer,
Para o meu 'sperar.
O que tem que não ser
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.

(Fernando Pessoa)

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Sábado, Fevereiro 23, 2008
A noite desce
A noite desce, o calor soçobra um pouco,
Estou lúcido como se nunca tivesse pensado
E tivesse raiz, ligação directa com a terra
Não esta espécie de ligação de sentido secundário observado à noite.
À noite quando me separo das cousas,
E m'aproximo das estrelas ou constelações distantes —
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-me.

(Alberto Caeiro)

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Domingo, Fevereiro 17, 2008
A flor que és
A flor que és, não a que dás, eu quero.
Porque me negas o que te não peço.
Tempo há para negares
Depois de teres dado.
Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perene
Sombra errarás absurda,
Buscando o que não deste.

(Odes de Ricardo Reis)
 
Colocado por Ricciardito à(s) 18:13 | 0 Comentário(s)
Sábado, Fevereiro 16, 2008
Guitarra
16.Fev.2008. Passam 83 anos sobre o nascimento de Carlos Paredes. Sobre a efeméride aqui deixo gravado um poema de Manuel Alegre.

GUITARRA
(Carlos Paredes)

A palavra por dentro da guitarra
a guitarra por dentro da palavra.
Ou talvez esta mão que se desgarra
(com garra com garra)
esta mão que nos busca e nos agarra
e nos rasga e nos lavra
com seu fio de mágoa e cimitarra.

Asa e navalha. E campo de Batalha.
E nau charrua e praça e rua.
(E também lua e também lua).
Pode ser fogo pode ser vento
(ou só lamento ou só lamento).

Esta mão de meseta
voltada para o mar
esta garra por dentro da tristeza.
Ei-la a voar ei-la a subir
ei-la a voltar de Alcácer Quibir.

Ó mão cigarra
mão cigana
guitarra guitarra
lusitana.

(Manuel Alegre)

Enormous, clumsy, with its eternal shy smile of who asks for excuse for existing. One sat down, made his guitar snug against him, grasped the guitar and the guitar to him, started to be an only body, one single trunk of music and anger, dream and melody, of anguish and hope, stating for sounds so many things that we did not have words to say - José Carlos de Vasconcelos remembered thus Carlos Paredes after having attended, in the Theater Avenida, in the Coimbra of 60's, to an unforgettable party of the Taking of the Bastilha that also commemorated the student's day.
 
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Quinta-feira, Janeiro 24, 2008
If, after I die
If, after I die, they should want to write my biography,
There's nothing simpler.
I've just two dates - of my birth, and of my death.
In between the one thing and the other all the days are mine.

I am easy to describe.
I lived like mad.
I loved things without any sentimentality.
I never had a desire I could not fulfil, because I never went blind.
Even hearing was to me never more than an accompaniment of seeing.
I understood that things are real and all different from each other;
I understood it with the eyes, never with thinking.
To understand it with thinking would be to find them all equal.

One day I felt sleepy like a child.
I closed my eyes and slept.
And by the way, I was only Nature poet.

(Alberto Caeiro)
 
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Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
A espantosa realidade das cousas
A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

(Alberto Caeiro)
 
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Terça-feira, Janeiro 08, 2008
A 'sperança, como um fósforo inda aceso
A 'sperança, como um fósforo inda aceso,
Deixei no chão, e entardeceu no chão ileso.
A falha social do meu destino
Reconheci, como um mendigo preso.

Cada dia me traz com que 'sperar
O que dia nenhum poderá dar.
Cada dia me cansa de Esperança...
Mas viver é sperar e se cansar.

O prometido nunca será dado
Porque no prometer cumpriu-se o fado.
O que se espera, se a esperança e gosto,
Gastou-se no esperá-lo, e está acabado.

Quanta ache vingança contra o fado
Nem deu o verso que a dissesse, e o dado
Rolou da mesa abaixo, oculta a conta.
Nem o buscou o jogador cansado.

(Fernando Pessoa)
 
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Sexta-feira, Janeiro 04, 2008
The happy sun is shining...
The vacation nostalgia is vanishing slowly... In the meantime the happy sun is shining!

The happy sun is shining
The fields are green and gay,
But my poor heart is pining
For something far away.
It's pining just for you,
It's pining for thy kiss.
It does not matter if you're true
To this.
What matter is just you.

I know the sea is beaming
Under the summer sun.
I know the waves are gleaming,
Each one and every one.
But I am far from you,
And so far from your kiss!
And that's all I get that's really true
In this.
What matters is just you.

Oh, yes, the sky is splendid,
So blue as it now,
The air and light are blended,
Oh yes, hot, anyhow,

Nothing of this is you
I'm absent from your kiss,
That's all I get that's sad and true
In this
What matter is just you.

(Fernando Pessoa)
 
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Segunda-feira, Dezembro 24, 2007
My Christmas tree
Sharing with you my Christmas Tree, I wish you Merry Christmas and a Happy New Year. Let the coming year be joyful and prosperous for all of us.
With my warm wishes,
Paolo Ricciardi

My Christmas tree is also yours
 
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Segunda-feira, Dezembro 17, 2007
Nostalgia das vacances - 36
Angkor Wat - part 10 and the last one.

Some souvenirs from Angkor Wat...





 
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Domingo, Dezembro 16, 2007
Nostalgia das vacances - 35
Angkor Wat - part 9
Climbing and descending Angkor Wat: a little bit dangerous but a unique experience.






























 
Colocado por Ricciardito à(s) 17:00 | 0 Comentário(s)
Sábado, Dezembro 15, 2007
Nostalgia das vacances - 34
Angkor Wat (Bas-reliefs) - part 8

Bas-reliefs (Wikipedia)









 
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Sexta-feira, Dezembro 14, 2007
Nostalgia das vacances - 33
Angkor Wat - part 7






 
Colocado por Ricciardito à(s) 07:20 | 0 Comentário(s)
Quinta-feira, Dezembro 13, 2007
Nostalgia das vacances - 32
Angkor Wat - part 6







 
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